sexta-feira, julho 21, 2006

Olha o Barredo, a ponte, tantas ilusões na travessia e o futuro tão longe companheiro! Tantas histórias moribundas nestas pedras lambidas pelas tuas águas.
Sem rumo, sem modo de traçar um azimute, ficam-se aqui por este velho cais em apelos desesperados às naus que outrora demandavam o teu leito. Havia gente aqui que nunca como agora, permitiu o jugo sobre o pescoço e o rio era tratado com amor...
Manuel Araújo da Cunha
quinta-feira, julho 20, 2006



Espelho de água
Não passam por aqui rios meu amor
o que te dei uma vez foram dois livros
para que aprendesses a remar dentro de mim
Não passam por aqui barcos meu amor
o que te dei uma vez foram dois remos
para que pudesses viver dentro de um sonho
Aqui há só esta pedra onde me sento
a inventar rios livros barcos e remos para ti
Espelho liquido da minha lúcida demência
Reflecte uma só vez os meigos olhos dela
e cerra para sempre as pálpebras do meus
com as tuas cintilantes mãos de luz
É aqui que o mar começa e que o rio acaba, ou será apenas o regresso do filho aventureiro ao terno colo do pai!?
Fundem-se os dois num abraço milenar, acariciam-se com ternura e afectos na suavidade dos dias temperados e nas tantas e tantas revoltas que os fazem temidos. Tudo os une e tudo os separa, numa eterna sina; cruel, doce e salgada...
"...O meu desejo, é dar-te um beijo, é ter desejo de te beijar. Perdidamente, como quem sente, que o teu sorriso, vai acabar..."
Manuel Araújo da Cunha
quarta-feira, julho 19, 2006
O Douro agradece a sua visita. Volte sempre que sentir saudades!
Companheiro nesta viagem.Mestre Teixeira
A mãe pariu-o, na faina da pesca, sobre as redes amontoadas na proa do velho Valboeiro.
Lavou-o nas águas barrentas do rio com todo o carinho deste Mundo. Nessa hora mágica criou um laço infame ao lança-lo nos braços de tão traiçoeira amante.
Levou-lhe tudo; a rebelde e irrequieta meninice, a doce e tão saudosa juventude, o suor do rosto e a força dos braços. Mas ainda hoje se preciso fosse, como um louco, no enredo deste amor fatal, até a própria vida lhe daria.
Oitenta e oito anos a percorrer os caminhos do Douro num ministério todo feito de sonhos e de paixões ciganas. Abraço-te meu querido e inesquecível amigo.
Manuel Araújo da Cunha
Manuel Araújo da Cunha
terça-feira, julho 18, 2006

Outros companheiros desta viagem.
No bar do velho cais de Entre os Rios já não passam os homens que outrora demandavam o rio
O s barris de rum e de cerveja deram lugar a saborosos gelados que estes marinheiros acabados de desembarcar do "Sonda Mar" apreciam exaustos.
Perpétua-se assim o ciclo da vida num apelo a que ninguém resiste
segunda-feira, julho 17, 2006
Pedorido dentro do douro

Na crista de um turbilhão de espuma,surgiu Rã vinda do Sol em forma de Benu, a ave Fênix. O Olho de Rã, que vivia independente do deus, fugiu e Rã mandou Shu e Tefnut para que o troxessem de volta. Durante a luta que travaram os três,o olho de Rã derramou lágrimas, das quais nasceram todos os seres humanos. A partir desse dia,Rã colocou o Olho na frente da sua coroa na forma da serpente Uraeus e disse para ele: Deste lugar comandarás o mundo inteiro.
Rã a ditosa filha do Sol apesar de ser um Deus, estava longe de imaginar quão efémera seria a sua profecia.Nunca poderia ter permitido a caiação deste rio de sonho pois a partir dai, ficaram os sonhos a comandar o mundo inteiro...
Manuel Araújo da Cunha
Manuel Araújo da Cunha
Há milhões de anos, quando os mundos se fundiam e se separavam numa guerra astral sem precedentes, surgiu aqui vinda do nada, esta maravilhosa corrente liquida.
Na crista do turbilhão de espuma que fazia, a mais bela das belas princesas que alguma vez pisou a terra, anunciava com cânticos e trombetas a sua chegada. Desembarcou neste recanto magnífico e criou as raízes que perduraram até hoje.
Se as pedras submersas nas profundezas deste rio imenso pudessem falar, quantas fascinantes histórias não ecludiriam neste cenário de sonho. Assim, só quando o luar se torna mais intenso e as águas do rio adormecem de mansinho, se ouvem os cânticos das Ninfas filhas de MAAT que aqui desembarcou num longínquo dia. Sem ela, a criação divina que é a Terra e seus habitantes, não poderiam existir, pois tudo se fundiria no caos inicial.
Perde-se o nosso olhar na vastidão do rio mas, só a nossa alma escuta o passado e compreende...
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